REPORTAGEM DE CAPA

COMO A MSF ATUA NO COMBATE À COVID-19?

A pandemia do novo coronavírus atingiu todo o mundo e mesmo os países com os sistemas de saúde mais desenvolvidos têm dificuldade para lidar com o número de pacientes com necessidade de cuidados intensivos.

Médicos Sem Fronteiras (MSF) trabalha respondendo a diferentes necessidades em mais de 70 países e está adaptando seus projetos para ajudar também na resposta à COVID-19. Além disso, MSF passou a apoiar a resposta de emergência em países europeus onde não possuía projetos, como forma de aliviar a sobrecarga sobre os sistemas de saúde.

A MSF está presente nas Américas, na Europa, no Oriente Médio, na África e na Ásia.

Na Américas a MSF tem atividades no Brasil, El Salvador e México.

  • BRASIL 

Iniciamos esta semana em São Paulo atividades de combate à COVID-19. O trabalho é focado em pessoas vulneráveis, como pessoas em situação de rua, migrantes e refugiados, usuários de drogas, idosos e pessoas privadas de liberdade.
Além de São Paulo, MSF está se preparando para iniciar atividades no Rio de janeiro, também com foco na população mais vulnerável. Também estamos adaptando nossas ações em Roraima, onde possuímos um projeto direcionado ao reforço do sistema de saúde local em função do aumento da migração, para ajudar nas ações de combate à COVID-19.

Posicionamento de Médicos Sem Fronteiras Brasil para o combate ao coronavírus

“Neste momento, mais do que nunca, é crucial levar a sério as orientações de organizações de saúde. Combater a pandemia de Covid-19 é um imenso desafio e para Médicos Sem Fronteiras essa também tem sido uma tarefa árdua. Estamos diariamente adaptando as estratégias para tentar deter o vírus da maneira mais efetiva. Uma coisa é certa: os dados disponíveis mostram que é preciso romper as cadeias de transmissão. Isso significa que medidas rígidas de distanciamento social são cruciais.

Estas são as recomendações da Organização Mundial da Saúde, fruto do trabalho de pesquisadores e profissionais da área médica que têm atuado de modo incansável para diminuir o avanço das infecções e das mortes pela Covid-19. Reduzir ao máximo o número de pessoas infectadas neste estágio da pandemia, assim como isolar todas as pessoas com sintomas e os que tiveram contato com elas, é extremamente importante. Isso significará ter menos casos graves em um futuro próximo, diminuindo a sobrecarga sobre o sistema de saúde e protegendo, assim, os profissionais que estão na linha de frente do combate à doença. O SUS (sistema único de saúde) já demostrou muitas vezes sua capacidade de lidar com crises graves, mas a dimensão e o impacto desta pandemia parecem inéditos na história recente. Já vimos suas enormes consequências sobre sistemas de saúde de países ricos e temos que agir para tentar evitar que isso se reproduza no Brasil. Estamos preocupados principalmente com a gravidade e as consequências proporcionalmente mais severas para a população mais vulnerável.

Justamente para somar esforços na assistência aos mais vulneráveis, MSF colocou-se à disposição para cooperar e tem dialogado com as autoridades de saúde brasileiras. Já estamos com equipes nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Boa Vista para definir rapidamente qual será a melhor maneira de contribuirmos para esta luta, cujo sucesso vai depender do empenho de todos.

Por isso, se puder, fique em casa. Todos temos um papel importante em evitar que o coronavírus se espalhe ainda mais. Isso também salva vidas.”

Ana de Lemos – Diretora-executiva de MSF-Brasil

EM 2019 a MSF atuou no apoio às pessoas afetadas pelo rompimento da barragem que armazenava rejeitos da mineração de ferro na região de Brumadinho (MG), ocorrido no dia 25 de janeiro.

Médicos Sem Fronteiras (MSF) enviou à localidade duas psicólogas e uma psiquiatra com o objetivo de fornecer treinamento na área de saúde mental em desastres aos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) e demais profissionais da área que integram a rede de cuidados à população afetada. O trabalho da organização foi feito de maneira articulada com as equipes do SUS e demais atores presentes no município e foi concluído no fim de fevereiro.

Desde outubro de 2018, oferecemos suporte psicossocial e atividades de promoção de saúde e sensibilização da comunidade em Roraima para a população de migrantes venezuelanos que deixou seu país de origem.

Em julho de 2019, também começamos a oferecer consultas médicas para aliviar o sistema de saúde pública do estado, que se viu sobrecarregado com as novas demandas. Por isso, atuamos em postos de saúde públicos, atendendo brasileiros e venezuelanos. Os casos mais frequentes que recebemos, como os de diarreia, estão ligados às más condições de vida de muitos dos migrantes.

  • MÉXICO/EUA

A decisão do governo dos Estados Unidos de bloquear os processos de pedido de asilo e de fechar a fronteira com o México, com a justificativa de conter a propagação da pandemia do novo coronavírus, ameaça a saúde e a segurança de milhares de pessoas que buscam proteção internacional nos Estados Unidos e são forçadas a voltar ao México.

Desde o dia 21 de março, equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) observam o transporte forçado de migrantes e solicitantes de asilo mexicanos e centro-americanos dos Estados Unidos para Matamoros e outras partes do sul do México. Estamos extremamente preocupados com o aspecto sistemático dessas medidas, realizadas sem planos de contingência ou mitigação de seu impacto na saúde pública e nas necessidades humanitárias.

“Usar a Covid-19 como argumento para se esquivar de obrigações internacionais em relação a refugiados e migrantes não só é inaceitável, como também contraproducente em termos de controle de surtos”, diz Isabel Beltrán, coordenadora médica de MSF no México e na América Central. “Esses tipos de medidas são desnecessários e desproporcionais, porque discriminam e estigmatizam um segmento da população e impedem que as pessoas que fogem da violência tenham acesso a um sistema de proteção e segurança”.

MSF já respondeu a inúmeros surtos em todo o mundo e sabe que as medidas de saúde pública funcionam quando protegem todas as pessoas e fracassam quando populações vulneráveis, como os migrantes, não são incluídas.

Além disso, como MSF destacou em várias ocasiões, as políticas migratórias dos Estados Unidos implementadas pelo México, como o chamado “Protocolo de Proteção aos Migrantes”, colocam em risco a vida das pessoas que são forçadas a aguardar no México a decisão de sua solicitação de asilo nos Estados Unidos. Essas pessoas estão presas em um limbo perigoso e sua vulnerabilidade agora é ainda maior com a expansão da Covid-19.

Atenta à propagação do novo coronavírus, MSF segue monitorando as necessidades de saúde no México e está organizando sua resposta para manter e expandir os serviços médicos prestados no país. No entanto, as equipes estão preocupadas com o impacto dessa pandemia em um contexto em que as pessoas não têm acesso regular a serviços médicos e vivem em condições precárias, que facilitam a disseminação do vírus.

“Nós ampliamos nossas atividades médicas em Matamoros diante da falta de atendimento abrangente dentro do campo, onde vivem cerca de 2 mil solicitantes de asilo. Prestamos serviços de saúde física e mental e realizamos sessões de promoção de saúde. Apesar desses esforços, é impossível implementar adequadamente as medidas de prevenção de infecções – como desinfetar espaços públicos, lavar as mãos com frequência e manter o distanciamento social – em um local onde famílias inteiras dormem juntas em uma única barraca”, diz Beltran.

MSF se solidariza com as populações em situação de vulnerabilidade e faz um apelo aos governos dos Estados Unidos e do México para que assumam a  responsabilidade de assegurar a implementação de medidas inclusivas de mitigação e atendimento médico abrangente, principalmente para pessoas que vivem em condições ameaçadoras, como migrantes e solicitantes de asilo.

“A maior preocupação das pessoas neste momento é a incerteza sobre o seu futuro. Elas não têm escolha a não ser dormir em espaços superlotados, onde não há como obedecer às medidas preventivas necessárias. Estamos cientes dos desafios monumentais que a pandemia acarreta e, por isso, é necessário que os grupos médicos coordenem ações que incluam essas populações em seus planos de prevenção e, se necessário, em suas medidas de contenção”, afirma o médico Marcelo Fernández, coordenador-geral de MSF no México.

Na Europa a MSF está presente na Itália, Espanha, Bélgica, França, Suíça, Noruega, Grécia, Holanda e Ucrânia.

  • ITÁLIA

A MSF está atualmente apoiando três hospitais na região da Lombardia com atividades de controle de infecções. Fora dos hospitais, estamos realizando atividades para alcançar pessoas vulneráveis e apoiando um projeto de telemedicina, que está ajudando pessoas isoladas em casa.

Na região de Marche, no centro do país, MSF apoia uma rede de casas de repouso em várias cidades, para impedir que os casos se espalhem em locais vulneráveis. Hoje, existem cerca de 40 profissionais de MSF envolvidos na resposta ao coronavírus na Itália.

Nosso trabalho principal é fornecer suporte à equipe médica dentro dos hospitais. Estamos fazendo todo o possível para manter os médicos e enfermeiros saudáveis, porque, se eles ficarem doentes, não haverá ninguém para tratar os pacientes. Temos muita experiência em prevenção e controle de infecções no combate às epidemias que enfrentamos em todo o mundo, por isso, estamos ajudando a criar fluxos e processos dentro dos hospitais para garantir que os funcionários estejam protegidos e as pessoas também não contraiam o vírus.    

No Oriente Médio a MSF está presente em Gaza, Síria, Jordânia, Iraque, Sudão e Líbia.

  • SÍRIA2

    O campo de Deir Hassan, na província de Idlib, na Síria, é apenas um dos diversos acampamentos onde vivem centenas de milhares de famílias deslocadas.

    Elas fugiram da  ofensiva militar conduzida pelas forças do governo sírio e seus aliados russos entre dezembro e início de março. Este campo abriga mais de 164 mil pessoas em assentamentos espalhados pelas colinas e, como acontece na maior parte do noroeste da Síria, carece de serviços básicos e agora está ameaçado pela propagação potencial da COVID-19.

No dia 16 de março, depois de avaliar as necessidades no campo de Deir Hassan, Médicos Sem Fronteiras (MSF) distribuiu itens de primeira necessidade para 180 famílias nos assentamentos de Latamneh e Al Habeet, que incluíam tendas, tapetes, lonas plásticas, cobertores, utensílios de cozinha e kits de higiene.  

“Nós presenciamos pessoas vivendo ao relento. Vimos também duas ou três famílias dividindo uma mesma tenda e que não as protegia do frio ou da chuva. Havia poucas tendas para acomodar os recém-chegados”, explicou Ahmed, líder deste projeto de MSF.

No noroeste do país, estamos revisando os sistemas de triagem e o fluxo de pacientes em alguns dos hospitais que apoiamos. Criamos comitês de higiene e doamos equipamentos de proteção para a equipe. Em alguns campos de deslocados internos em que atuamos, adaptamos o sistema de triagem de nossas clínicas móveis e revisamos nossos protocolos para poder continuar as distribuições de produtos de primeira necessidade e serviços de saúde.

No hospital Al Salama (Azaz) e em instalações apoiadas em Idlib, as equipes de MSF estão realizando treinamento para a equipe médica. Unidades de isolamento, vias de encaminhamento de amostras e pacientes estão sendo identificados e as diretrizes de controle e prevenção de infecções estão sendo implementadas.

Fonte: Todas as informações aqui contidas estão disponíveis no site msf.org.br